Com o objetivo de apresentar o currículo escolar de forma sistêmica e mais facilmente relacioná-los a cultura local buscou-se uma visão integrada da cultura escolar:

Ao ingressar na escola, os alunos trazem os sentidos particulares que atribuem a si próprios, como pessoas, passando, então, a viver a experiência de compreender o significado social que esta instituição e os que a compõem lhes atribuem. Eles possuem diferentes experiências no mundo que se constituem num desafio ao professor, no sentido de relacioná-las aos conteúdos processados nas escolas.

Afinal como se forma um estudante? Que habilidades são necessárias? Como despertar a curiosidade, a reflexão e a capacidade de síntese? Neste trabalho os saberes escolares são entendidos como aprendizagens imprescindíveis à formação acadêmica geral. Nesta medida, é possível indagar como se constrói o conhecimento, como acontece a aprendizagem?

Com enunciados mais ou menos gerais, busca-se vincular conceito, aplicação e mobilização do conhecimento. A ênfase, no entanto, está no desenvolvimento do espírito de pesquisa na formação de estudantes. A Casa da Arte acredita que este espírito, quando bem alcançado, estrutura a conquista de qualquer vida acadêmica e comunitária. Quando a expressão saberes escolares é utilizada, é preciso esclarecer que ela está se referindo às propriedades e estratégias do fazer e do pensar, aos procedimentos passíveis de produzir uma práxis diferenciada para estudantes em formação. Aqui os saberes escolares se constituem além dos conteúdos específicos de cada disciplina escolar; são também as habilidades, procedimentos e práticas que tornam os educadores sujeitos de nosso processo educacional.

Com estas preocupações os saberes escolares relacionados foram:

A curiosidade: querer saber, querer conhecer;
O questionamento: não aceitar, buscar confirmar;
A observação: estudar algo com atenção;
O desenvolvimento de hipóteses: estimar;
A descoberta: revelar, dar a conhecer algo;
A experimentação: tentar, praticar, verificar;
O desafio: o jogo como pesquisa;
A identificação: reconhecer o caráter de algo;
A classificação: distribuir em classes, determinar categorias;
A sistematização: criar ou identificar relações entre partes e objetos;
A comparação: estabelecer confronto entre partes e objetos;
As relações: estabelecer identidades e diferenças entre partes e objetos;
As conclusões: realizar sínteses;
O debate: confrontar pontos de vista;
A revisão: ver de novo, com a capacidade de alterar o ponto de vista original;
O criar: dar forma, produzir, imaginar, suscitar;
Jogar: colocar-se em risco, aceitar combinações não programáveis, experimentar;
A curiosidade: voltar a se perguntar.